quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não encoste

Material espiritual incerto contagioso melancólico e destrutivo.

Então? Qual é a resposta para a pergunta essencial? Qual é a pergunta essencial? O que faz todo mundo agir neste conformismo com o mundo, sempre, aparentemente felizes, aparentemente preocupados, aparentemente bem intencionados, aparentemente vivos. Aparentemente, tudo. Vocês veem? Veem o que? Pra quê? Por quê? Vocês vivem? Vivem o que? Por quê? Pra quê?

Perambula-se no mundo sem saber quem enfiou uma faca nas suas costas, mas você sangra. As vezes até sem perceber, voluntariamente! Quando é que viramos máquinas desligadas de sentimentos? Sempre fomos? Será que só uma soco espiritual faz as pessoas pararem e pensarem? O que fazemos aqui? Quem tem a verdade? Diga-me quem tem a verdade, porque quero conforto.

Qual o critério do melhor na visão global? O que faz com que eu seja melhor do que uma formiga?

Pensamento vagante... pensamento perdido. Sua cidade desmoronou amigo, agora é só desenterrar entulhos até encontrar a luz, o problema é que cavamos para o centro, não para o aparente irradiante que fascina a todos.

Ao cavar vemos o contra fluxo. Pessoas riem, somos OS DIFERENTES. Como se elas fossem as certas. Então diga-me quem está com a verdade? Diga-me e comprove-me! Humilho-me a ser servo da verdade. Agora quem está com ela? Não o sabe? Porque rides da busca dos outros, então. Qual é a sua busca? Onde está a sua questão essencial? Aquela sob a qual está todos os perigos da existência?

Mesmo assim, neste monólogo incessante, ainda riem. O riso é a divergência, o escarro do riso, de repente aparece, mostrando os dentes. Uma reação involuntária, mostra-se o involuntário, perde-se involuntáriamente mais ainda.

Já não sinto mais vontade de agir, todo o brilho se apagou. Quero simplesmente dormir, acomodar-me tranquilamente, como aparentemente - mais uma vez esta palavra - já o fiz. Quero o imediatismo na resposta, quero o impossível. Não quero ilusão, desvele-me Alethéia, desvele-me nem que eu tenha que cruzar o rio para isso. Porém, para ser trespassado é preciso, mais uma vez, repetirei, da pergunta essencial.

Como seria bom cruzar o rio imediatamente, imagino a cena em ensaios de lucidez. Como se tudo fizesse sentido. Como se realmente soubesse de algo. Como se as palavras ganhassem a fundamentação da estrutura ontológica.

Chega! Enterro-me na busca do centro. Viro-me a ti e me negas. Abrace-me Sofia, abrace-me como nunca abraçaste antes. Quero apenas o conforto dos teus braços.


~S

Feel free to be lost.

7 comentários:

  1. O que faz um poeta de água doce escrever sobre melancolia?

    Saudades daqui! =)

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. O que faz um poeta de água doce buscar no mar as respostas que estão no rio? O que faz com que ele permita que a sujeira das cidades o alcance e polua?
    O que permite que ele se confunda com o mundo e nele se esconda, enquanto a força e a beleza se afogam por falta de ar puro?

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  4. filosófico! gosto :)
    sempre me pergunto qual é a pergunta essencial... se soubéssemos seria bem mais fácil, a pergunta que me move, que dá sentido a minha existência,`a minha busca, que me inquieta. A maioria das pessoas não quer deixar a tranquilidade (aparente, como vc muito bem coloca) para dar lugar a pensamentos que "incomodam". Mas pensar talvez seja a cura. Às vezes chega parecer loucura, estar no meio da multidão e tentar ver como são aquelas pessoas, no sentido de Ser, não de parecer, de ter estilo ou qualquer outra coisa superfial. Impossível. Nem mesmo às pessoas mais proximas podemos ver com tanta proximidade assim... NUNCA deixe de ser diferente, seja a antítese, mesmo que isso seja doloroso, é tudo isso que move.

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  5. A pergunta essencial é: qual é a pergunta essencial?

    Acho que sou uma formiga...

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  6. ''O que faz todo mundo agir neste conformismo com o mundo''
    Realmente este mundo esta ficando decadente, as pessoas cada vez mais cômodas, despreocupadas, enxergam o proceder infame de certos fatos na sociedade e permanecem com os braços cruzados. Essa atitude é cada vez mais frequente, ninguem questiona, riem de coisas que rotulam como antigas ou de hábitos e ações que dizem ser DIFERENTE'. Será isso mesmo? será que se indignar com certos atos, questionar o porque das coisas é mesmo tão diferente ou essa parcela de pessoas que se sujeitam a tudo que lhe surge diante dos olhos está perdendo seus valores.?!

    Nossa eu estava precisando por isso pra fora. rsrs, achei um lugar xD

    Meu caro, tenho um post sobre esse comodismo para qual a sociedade esta migrando. fico grata se puder opiniar.

    http://parfaitdintensit.blogspot.com/2010/07/quando-que-isso-para.html

    att. bj :*

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